As comemorações a Semana da Pátria em Primavera do Leste, começam oficialmente nesta
segunda-feira, em frente ao Paço Municipal.
As festividades cívicas são uma realização da
Prefeitura Municipal por meio da Secretaria Municipal de Educação e tem como
objetivo celebrar a liberdade e os 191 anos de Independência do nosso
país.
Além do asteamento das bandeiras e execução do Hino Nacional, o público presente pode apreciar o Hino de Primavera através de mais uma brilhante apresentação do Grupo Municipal de Viola Caipira.
Estiveram presentes ao evento o Prefeito Érico Piana bem como outras autoridades do município e algumas escolas que representaram os estudantes de Primavera do Leste. Na oportunidade, o aluno Mário Ribeiro Souza, do 8º ano da Escola Nossa Senhora Aparecida, leu um texto de autoria do professor Rogério Bauer.
A
INDEPENDÊNCIA QUE QUEREMOS
Sou jovem, sou brasileiro, um brasileiro
jovem, e por isso sou cobrado a todo o momento. Pensam que sou o salvador da
pátria, porque ainda tenho a coragem por tantos já perdida.
Sobre mim jogam a carga de promover as
mudanças necessárias; de moralizar o instrumental público, viciado e cheio de labirintos
minuciosamente criados para levar nossas imensas riquezas para os bolsos da
camaradagem.
Por ser jovem, sou passível de influências de
toda ordem, inclusive de ser usado, e até manipulado, pelos sanguessugas da
nação, afinal ainda estou aprendendo, assim como meu Brasil, jovem, em fase de
aprendizado e crescimento constante, mas que, infelizmente, já é explorado ao
extremo. Parece que todos já se acostumaram a isso, não se comovem mais com a
injustiça social reinante no país verde, amarelo.
Enquanto comemoramos uma independência
alcançada há 191 anos, exaltando personagens criados pela história e pelas
oportunidades, deixamos de refletir sobre nossas mazelas, ainda abertas e tão
carentes de cuidados.
Somos livres? Longe disso. Nosso direito de
ir e vir está diretamente relacionado ao nosso bolso. Podemos ir a qualquer
lugar, mas a desigual distribuição da renda do meu país nos estabelece limites,
que praticamente chegam à segregação econômica. Além disso, a insegurança
pública condiciona nosso comportamento a uma sensação de perigo constante,
dentro e fora de nossas casas.
Nossa independência não está plena, pois até
então apenas substituímos os usurpadores, e nós, povo, massa, maioria, como
queiram chamar, ainda permanecemos reféns de uma falsa democracia e de governos
burocráticos, os quais carregam uma cada vez mais crescente corja de corruptos,
salvo raras exceções.
Queremos uma liberdade plena, que venha
acompanhada de justiça, não aquela com letra maiúscula, a qual pune seus
maiores ladrões com aposentarias, mas uma que nos faça sentir iguais, uns aos
outros, com os mesmos direitos e deveres, e que nos faça confiar que sua
cegueira é a ferramenta mais adequada para o cumprimento do seu ofício.
Esperamos a liberdade de poder viver conforme
nossos dons e necessidades, tendo a certeza que nossos representantes fazem por
merecer o temporário destaque, a eles atribuídos nas urnas. E não somente conduzam suas rotinas costurando
conchavos e tecendo artimanhas para se manterem no poder.
A independência que queremos vai muito além
de sentir orgulho pelas vitórias de brasileiros, de viver em um lugar livre de
catástrofes naturais, de saber do potencial que temos. Essa independência deve
ser para todos, atingindo a razão e o coração, deixando o cidadão livre, mas
com a possibilidade de exercer e viver essa liberdade, e não somente assistir a
alegria de poucos através de uma tela.
Rogério Bauer